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segunda-feira, 31 de agosto de 2026

PCDT Endometriose atualizado em agosto: o que muda?

 Guerreiras!

           Foi aprovado o novo PCDT (Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas) da Endometriose pela Portaria Conjunta SAES/SAPS/SCTIE nº 54, de 2 de junho de 2026. Publicado no DOU (Diário Oficial da União) em 22 de julho de 2026, traz mudanças importantes. A principal delas é que a avaliação clínica, considerando os sintomas, o histórico da paciente e o exame físico, podem ser suficientes para iniciar o tratamento da endometriose, eliminando a obrigatoriedade de uma cirurgia de laparoscopia. Isso é excelente, pois agilizará os procedimentos e evitará que uma paciente precise necessariamente passar por um procedimento invasivo apenas para poder começar a tratar a dor, eliminando esse entrave. Deixando claro que a necessidade de exames de imagem não está descartada. Outra alteração significativa está relacionada ao CA-125, exame realizado por meio de coleta de sangue, já que ele pode estar elevado em outras situações que não endometriose, portanto carrega uma limitação e foi descartado como marcador específico para endometriose. O novo PCDT também amplia a perspectiva de cuidado, incluindo orientações de estratégias complementares, como: atividade física, educação em saúde, cuidado multiprofissional, dentre outras. Diretrizes locais de atendimento por estado ou município ainda não foram determinadas.
         O documento ainda sofreu uma atualização do anexo no dia 20 de agosto de 2026. A versão completa e oficial pode ser consultada na página de Protocolos de Endometriose do Ministério da Saúde.


FONTE:
Ministério da Saúde. PCDT da Endometriose – Portaria Conjunta SAES/SAPS/SCTIE nº 54, de 02 de junho de 2026.

Sra. Maria Helena Nogueira e Milena Piantino



sexta-feira, 28 de agosto de 2026

ENDO-205: uma nova esperança no tratamento da endometriose

 



       Olá meninas, tudo bem? Hoje venho falar a respeito de um medicamento, ainda em fase de teste, chamado ENDO-205. 

Desenvolvido pela EndoCyclic Therapeutics, o ENDO-205 é o resultado de quase uma década de pesquisa. Um peptídeo elaborado para atingir preferencialmente as lesões de endometriose. Aprofundando só um pouquinho, o peptídeo é uma versão mais simples de proteína e atua como sinalizador que se liga a receptores nas células, dando ordens para regular funções metabólicas. O mais interessante é a maneira como ele aborda o tratamento da doença, sem depender de supressão hormonal, o que, se essa estratégia se mostrar segura e eficaz, poderá representar uma vantagem para a preservação da função hormonal e reprodutiva (e isso é maravilhoso considerando que supressão hormonal pode trazer efeitos indesejáveis). O Endo-205 tem como proposta desencadear a morte celular programada, após a qual o próprio sistema imunológico do corpo pode eliminar os resíduos celulares restantes e pode vir a se tornar uma terapia não-hormonal de grande potencial.
Em estudos pré-clínicos, o ENDO-205 demonstrou a eliminação das lesões de endometriose e da inflamação a ela associada.
“When we began our studies and went in to analyze the on-target lesions, we found that they were no longer present. It was, in a sense, a dream scenario but also completely unexpected(...)” , afirmou Tanya Petrossian, fundadora e CEO da EndoCyclic Therapeutics, em entrevista ao Drug Discovery News. Ela explicou que o resultado foi, de certa forma, um cenário dos sonhos, mas também completamente inesperado. A descoberta levou a equipe a investigar estágios anteriores da regressão das lesões, buscando compreender melhor, em nível molecular, como elas se estabelecem e como desaparecem ao longo do tempo.
E porque estamos falando do ENDO-205? Porque o FDA (Food and Drug Administration) autorizou o pedido de Novo Medicamento Investigacional (IND), o que significa que ele chegou à Fase I de pesquisa clínica, de modo a testar a segurança, tolerabilidade e os efeitos colaterais do medicamento em um grupo de voluntários.
Quando a novidade foi publicada pela primeira vez em março deste ano, provocou reações otimistas, mas cautelosas, em discussões de usuários do Reddit. No entanto, é um processo demorado até chegarmos aos ‘finalmentes’. Muitas mulheres podem não ter oportunidade de testar, mas imaginem só que futuro promissor a ciência ainda proverá com suas descobertas, erros e acertos.
Se tiver interesse em saber um pouco mais sobre as etapas de desenvolvimento exigidas pelo FDA ou sobre outros medicamentos em estudo que também seguem a linha dos tratamentos não hormonais, os links nas referências podem ajudar.
Sigamos esperançosas, com força Hercúlea e fé no Criador, sempre!

           Hello girls, how are you? Today I'm going to talk about a medication, still in the testing phase, called ENDO-205.

Developed by EndoCyclic Therapeutics, ENDO-205 is the result of almost a decade of research. It's a peptide designed to preferentially target endometriosis lesions. To elaborate a little, the peptide is a simpler version of a protein and acts as a signaling molecule that binds to receptors on cells, giving orders to regulate metabolic functions. The most interesting thing is how it approaches the treatment of the disease, without relying on hormonal suppression, which, if this strategy proves safe and effective, could represent an advantage for preserving hormonal and reproductive function (and that's wonderful considering that hormonal suppression can bring undesirable effects). Endo-205 aims to trigger programmed cell death, after which the body's own immune system can eliminate the remaining cellular debris and could become a non-hormonal therapy with great potential.

In preclinical studies, ENDO-205 demonstrated the elimination of endometriosis lesions and the inflammation associated with them.

“When we began our studies and went in to analyze the on-target lesions, we found that they were no longer present. It was, in a sense, a dream scenario but also completely unexpected(...)”, said Tanya Petrossian, founder and CEO of EndoCyclic Therapeutics, in an interview with Drug Discovery News. She explained that the result was, in a way, a dream scenario, but also completely unexpected. The discovery led the team to investigate earlier stages of lesion regression, seeking to better understand, at the molecular level, how they are established and how they disappear over time.

And why are we talking about ENDO-205? Because the FDA (Food and Drug Administration) authorized the application for Investigational New Drug (IND), which means that it has reached Phase I of clinical research, in order to test the safety, tolerability and side effects of the drug in a group of volunteers.

When the news was first published in March of this year, it provoked optimistic, yet cautious, reactions in Reddit user discussions. However, it is a lengthy process until we reach the 'final results'. Many women may not have the opportunity to test it, but just imagine the promising future that science will still provide with its discoveries, errors, and successes. If you are interested in learning more about the development stages required by the FDA or about other medications under study that also follow the line of non-hormonal treatments, the links in the references may help.

Let us remain hopeful, with Herculean strength and faith in the Creator, always!

FONTE:
EndoCyclic Therapeutics ENDO-205

REFERÊNCIAS:

FOSTER, Bree. Is this the first disease-modifying treatment for endometriosis? Drug Discovery News, 20 maio 2026.
Entrevista com Tanya Petrossian, fundadora e CEO da EndoCyclic Therapeutics (em inglês)

GARGIULO, Antonio. ENDO-205 and the New Wave of Non-Hormonal Endometriosis Treatments — Hope for the Future, Care for Today. New England Endometriosis, 28 jul. 2026
Artigo escrito pelo Dr. Antonio Gargiulo (em inglês)

Escrito por
Milena Piantino




sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Sancionada a lei que garante atendimento integral para mulheres com endometriose em São Paulo

 

São Paulo sanciona lei que garante atendimento integral para mulheres com endometriose no SUS


    A Cidade de São Paulo deu um passo importante na atenção à saúde feminina com a sanção da Lei Municipal nº 18.508. O texto estabelece diretrizes para a criação de uma linha de cuidado completa voltada ao diagnóstico e tratamento da endometriose na rede pública de saúde (SUS).

Eixos Principais da Legislação

  • Prevenção: Realização de campanhas educativas contínuas para conscientizar a população sobre os sintomas e o impacto da endometriose na qualidade de vida.

  • Diagnóstico: Agilidade na oferta e realização de exames clínicos e de imagem na rede pública para reduzir a demora no diagnóstico.

  • Tratamento: Garantia de acesso a procedimentos cirúrgicos e a médicos especialistas.

  • Acompanhamento: Consultas periódicas para controle da dor e suporte contínuo às pacientes.

Diretrizes e Atendimento na Rede Pública

Para assegurar a eficácia da norma, a legislação determina o treinamento contínuo das equipes de saúde municipais para a identificação precoce da doença. Além disso, prevê a criação de um fluxo rápido de encaminhamento para serviços especializados e garante a ampla transparência sobre os direitos das pacientes e os locais de atendimento disponíveis na capital.

São Paulo Enacts Law Guaranteeing Comprehensive Care for Women with Endometriosis in the Public Health System (SUS)

The City of São Paulo has taken a significant step in women's healthcare with the enactment of Municipal Law No. 18,508. The legislation establishes guidelines for creating a comprehensive care pathway focused on the diagnosis and treatment of endometriosis within the public health network (SUS).


Guidelines and Care in the Public Network

To ensure the measure's effectiveness, the legislation mandates continuous training for municipal health teams to facilitate early detection of the disease. Furthermore, it provides for the creation of a rapid referral process to specialized services and ensures full transparency regarding patient rights and available care locations within the city.

LEI Nº 18.508 de 24 de Junho de 2026

Estabelece diretrizes para o atendimento integral à mulher no Sistema Único de Saúde (SUS), no Município de São Paulo, com foco na endometriose.

LEI Nº 18.508, DE  24  DE JUNHO DE 2026

(Projeto de Lei nº 446/24 dos Vereadores Sansão Pereira – REPUBLICANOS, Dra. Sandra Tadeu – PL, Pastora Sandra Alves – UNIÃO, Professor Toninho Vespoli – PSOL, Rute Costa – PL, Silvinho Leite – UNIÃO e Thammy Miranda – PSD) 

Estabelece diretrizes para o atendimento integral à mulher no Sistema Único de Saúde (SUS), no Município de São Paulo, com foco na endometriose.

 

RICARDO NUNES, Prefeito do Município de São Paulo, no uso das atribuições que lhe são conferidas por lei, faz saber que a Câmara Municipal, em sessão de 27 de maio de 2026, decretou e eu promulgo a seguinte lei:

 

Art. 1º Esta Lei estabelece diretrizes para a inclusão e garantia do atendimento integral à mulher com foco na endometriose no Sistema Único de Saúde (SUS), no Município de São Paulo.
Art. 2º É assegurado o atendimento integral à mulher com endometriose, conforme previsto no inciso VI do art. 216 da Lei Orgânica do Município de São Paulo, que inclui a prevenção, diagnóstico, tratamento e acompanhamento.

Art. 3º O atendimento integral à endometriose no SUS deve contemplar as seguintes ações:

I - prevenção, mediante a realização de campanhas educativas e de conscientização sobre os sintomas e impactos da endometriose;

II - diagnóstico, com disponibilização de exames clínicos e de imagem necessários para o diagnóstico precoce da endometriose;

III - tratamento, mediante acesso a tratamentos médicos e cirúrgicos conforme protocolos clínicos estabelecidos;

IV - acompanhamento, com oferecimento de consultas periódicas para monitoramento contínuo das pacientes, incluindo acompanhamento psicológico, quando necessário.

Parágrafo único. As ações previstas neste artigo deverão ser implementadas em conformidade com os avanços tecnológicos e inovações em procedimentos médicos, incluindo a promoção de novas tecnologias cirúrgicas e terapêuticas, sempre visando à melhor qualidade de vida e ao atendimento integral das pacientes com endometriose.

Art. 4º O Município deve assegurar que os profissionais de saúde da rede pública estejam capacitados para identificar e tratar a endometriose, por meio de capacitação contínua e acesso a informações e orientações.
Art. 5º A rede pública municipal de saúde criará mecanismos para agilizar o encaminhamento de pacientes suspeitas de endometriose para os serviços especializados, mediante a redução do tempo de espera para consultas, exames e procedimentos.

Art. 6º As políticas de saúde para o atendimento integral à endometriose devem ser amplamente divulgadas e acessíveis a toda a população, por meio de campanhas de informação sobre os direitos das pacientes e transparência das informações sobre os serviços oferecidos na rede pública.
Art. 7º As despesas decorrentes da execução desta Lei correrão por conta de dotações orçamentárias próprias, suplementadas se necessário.

Art. 8º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, aos  24  de junho de 2026, 473º da fundação de São Paulo. 

 

RICARDO NUNES

PREFEITO

 

PAULO JESUS FRANGE

Secretário Municipal da Casa Civil

ANDRÉ LEMOS JORGE

Secretário Municipal de Justiça

 

Publicada na Casa Civil, em  24  de junho de 2026.

Documento original assinado nº 159891293

FONTE: Diário Oficial da Cidade de 25/06/2026 , p. 1
Por Milena 

quarta-feira, 27 de maio de 2026

O Que as 80 Descobertas Genéticas Significam para as Mulheres com Endometriose?

Pra Cego Ver: Arte digital em tons suaves de rosa, pink e dourado. À esquerda, o título destaca: "80 Descobertas Que Podem Mudar o Futuro da Endometriose". Ao centro, uma hélice de DNA iluminada representa as novas descobertas genéticas associadas à doença. À direita, uma mulher observa o horizonte com expressão de esperança e confiança. Ícones informativos destacam possíveis avanços, como melhor compreensão da doença, diagnósticos mais rápidos, tratamentos mais eficazes e mais qualidade de vida para milhões de mulheres. Na parte inferior, a identidade da Endometriose Mulher reforça sua missão de acolher, orientar, encaminhar e fortalecer mulheres com endometriose desde 2004. A imagem transmite esperança, conhecimento científico e a certeza de que cada descoberta aproxima as mulheres de um futuro melhor.


 A maior pesquisa genética da história da endometriose encontrou 80 regiões do DNA associadas à doença. Mas o que isso significa na prática para as mulheres que convivem com a dor?


Se você leu nossa publicação anterior, provavelmente ficou com uma pergunta:

Afinal, o que muda na vida das mulheres quando os cientistas descobrem 80 regiões genéticas ligadas à endometriose?

A resposta é simples: essas descobertas ajudam a compreender melhor as causas da doença e podem abrir caminho para diagnósticos mais rápidos e tratamentos mais eficazes no futuro.

Embora não representem uma cura imediata, elas são um passo importante para milhões de mulheres que aguardam respostas há décadas.



O Que os Cientistas Descobriram?

Os pesquisadores analisaram informações genéticas de aproximadamente 1,4 milhão de mulheres e identificaram 80 regiões do DNA associadas ao risco de desenvolver endometriose.

Entre elas, 37 nunca haviam sido associadas à doença anteriormente.

Essas descobertas ajudam os pesquisadores a entender quais mecanismos biológicos participam do desenvolvimento da endometriose.


Isso Muda Minha Vida Hoje?

Essa é uma pergunta que muitas mulheres fazem.

A resposta honesta é:

Não imediatamente.

Você não receberá um novo tratamento amanhã apenas por causa dessa pesquisa.

Mas ela pode acelerar o desenvolvimento de novas formas de diagnóstico e de terapias mais eficazes nos próximos anos.

A ciência avança passo a passo.

E cada descoberta constrói o caminho para a próxima.


Vai Existir um Exame Genético para Diagnosticar Endometriose?

Ainda não.

Mas estudos como esse aproximam os pesquisadores desse objetivo.

Hoje o diagnóstico depende principalmente da avaliação clínica e de exames especializados.

Com mais conhecimento sobre a genética da doença, os cientistas esperam identificar formas mais rápidas e precisas de reconhecer mulheres com maior risco.


Isso Significa Que a Cura Está Próxima?

Ainda não podemos afirmar isso.

A endometriose continua sendo uma doença complexa.

Mas a pesquisa oferece algo extremamente valioso:

Compreensão.

Quanto mais os cientistas entendem os mecanismos da doença, maiores são as chances de desenvolver tratamentos melhores.


Juntas em Uma Só Voz

Para a Endometriose Mulher, esta pesquisa representa mais do que uma descoberta científica.

Ela representa esperança.

Esperança para mulheres que aguardam anos por um diagnóstico.

Esperança para quem convive diariamente com dores incapacitantes.

Esperança para quem já teve sua dor desacreditada.

Cada avanço científico reforça uma verdade que milhares de mulheres conhecem na própria pele:

A endometriose é real.

A dor é real.

E a busca por respostas continua avançando.


Conclusão

As 80 descobertas genéticas não representam o fim da jornada.

Mas representam um novo capítulo.

Um capítulo em que a ciência começa a compreender melhor uma doença que afetou milhões de mulheres durante décadas.

E cada nova resposta nos aproxima de um futuro com diagnósticos mais rápidos, tratamentos mais eficazes e mais qualidade de vida para quem convive com a endometriose.

Próxima publicação

👉 Na próxima matéria da série, vamos falar sobre um tema que acompanha milhões de mulheres:

"A Dor Sempre Foi Real: Por Que a Endometriose Ainda É Tão Desacreditada?"

A maior pesquisa genética da história da endometriose identificou 80 regiões do DNA associadas à doença.

Mas o que essas descobertas significam na prática?

Na publicação anterior, mostramos como pesquisadores analisaram aproximadamente 1,4 milhão de mulheres e trouxeram novas pistas sobre as causas da endometriose.

📖 Leia também:
👉A Ciência Finalmente Escutou as Mulheres: Maior Estudo da História da Endometriose Analisa 1,4 Milhão de Pacientes

Agora vamos entender o que essas descobertas podem representar para o futuro das mulheres que convivem com a doença.


The largest genetic study ever conducted on endometriosis analyzed approximately 1.4 million women and identified 80 genetic regions associated with the disease.

These discoveries may help researchers better understand endometriosis and contribute to faster diagnosis, more effective treatments, and a better quality of life for millions of women worldwide.

Although these findings do not represent an immediate cure, they mark an important step toward a deeper understanding of the disease and offer new hope for women living with endometriosis.

At Endometriose Mulher, we believe every woman deserves to be listened to, respected, supported, and properly cared for.

Together, we continue raising awareness, sharing knowledge, and strengthening the voices of women affected by endometriosis around the world.




ENDOMETRIOSE MULHER

💗 Juntas em Uma Só Voz

Acolhendo, orientando, encaminhando e fortalecendo mulheres com endometriose desde 2004.


Cadastro Nacional de Mulheres com Endometriose

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Bloqueio pudendo para o tratamento da dor pélvica crônica:

Bloqueio pudendo para o tratamento da dor pélvica crônica:  um ensaio clínico randomizado

Joris Ramstein https://orcid.org/0000-0002-0357-7273, Danielle Markle Price , […] , e Felicia Lane fgeas@hs.uci.edu+1Ver todos os autores e afiliações
Volume 17 , Número 4  
https://doi.org/10.1177/22840265251340366

Um ensaio clínico randomizado

A dor pélvica crônica (DPC) afeta até 40% das mulheres em idade reprodutiva e frequentemente envolve a síndrome da dor pélvica miofascial (SDPM), uma condição musculoesquelética associada à disfunção do assoalho pélvico. As opções de tratamento eficazes são limitadas, e os bloqueios do nervo pudendo têm sido propostos como um complemento à fisioterapia do assoalho pélvico (FAAP). Este estudo teve como objetivo avaliar o impacto da adição de bloqueios do nervo pudendo à FAAP na redução da dor e na qualidade de vida de pacientes com SDPM.

Métodos:

Este estudo prospectivo, randomizado e duplo-cego recrutou mulheres com síndrome da dor pélvica miofascial encaminhadas para fisioterapia do assoalho pélvico. As participantes foram randomizadas para receber bloqueios do nervo pudendo com anestésico local e corticoide ou injeções de placebo (solução salina) semanalmente durante 6 semanas. O desfecho primário foi a dor, mensurada por meio de uma escala visual analógica (EVA) após 8 semanas. Os desfechos secundários incluíram sensibilidade muscular, força do assoalho pélvico e indicadores de qualidade de vida (PFDI, PFIQ, SF-36 e FSFI). As análises estatísticas incluíram testes t pareados e análise de modelos mistos para medidas repetidas.

Resultados:

Ambos os grupos apresentaram melhorias significativas nos escores da EVA ( p  < 0,001) e na sensibilidade muscular ( p  = 0,003), sem diferenças significativas entre os grupos ( p  = 0,7, p  = 0,15). À medida que a dor e a sensibilidade diminuíram, os pacientes relataram aumento da força do assoalho pélvico, redução do desconforto e melhora na qualidade de vida na 8ª semana.

Conclusões:

Embora os bloqueios pudendos não tenham melhorado significativamente os resultados em comparação com as injeções de placebo, a fisioterapia do assoalho pélvico (PFPT) isoladamente provavelmente foi responsável pelas melhorias observadas na dor e na qualidade de vida. Estudos futuros com amostras maiores e grupos de comparação adicionais são necessários para explorar o papel potencial de terapias adjuvantes no tratamento da síndrome da dor miofascial.
Introdução
A dor pélvica crônica (DPC) não é incomum e representa um problema clínico desafiador que afeta de 4% a 40% das mulheres em idade reprodutiva. <sup>1-3 </sup> Ela é definida como dor não menstrual ou não cíclica com duração de pelo menos 6 meses e intensidade significativa, a ponto de causar incapacidade funcional e exigir tratamento médico ou cirúrgico. A DPC não é uma doença, mas um sintoma causado por uma ampla variedade de condições, o que torna o diagnóstico diferencial e a identificação da causa subjacente um desafio.<sup> </sup> Os sintomas podem ser causados ​​por distúrbios urológicos, ginecológicos, gastrointestinais e outros distúrbios do assoalho pélvico. O início do tratamento costuma ser tardio ou inespecífico até que um diagnóstico específico seja feito. A Síndrome da Dor Pélvica Miofascial (SDPM) — anteriormente conhecida como mialgia tensional do assoalho pélvico — tem sido cada vez mais identificada em pacientes com DPC. Esse aumento tem sido associado a uma maior conscientização sobre a SDPM, e não a um aumento no número de casos. Até 85% das pacientes com DPC apresentam disfunção do sistema musculoesquelético, que varia de lordose lombar, hiperextensão do joelho e anteriorização pélvica a espasmos dos músculos do assoalho pélvico. 
A síndrome da dor pélvica miofascial (SDPM) pode ser uma causa primária ou secundária de dor pélvica crônica (DPC). O encurtamento da musculatura do assoalho pélvico com o desenvolvimento de pontos-gatilho pode ocorrer secundariamente a doenças pélvicas subjacentes, como endometriose, síndrome da bexiga dolorosa, histórico de doença inflamatória pélvica, doença gastrointestinal ou após trauma pélvico, como cirurgia, radioterapia ou trauma físico/sexual. <sup> 1,6 </sup> Estudos em animais demonstraram uma conexão entre inflamação e lesão em uma estrutura/área pélvica, resultando em efeitos em outras estruturas pélvicas, descrita como inflamação neurogênica.<sup> 7–9 </sup>  Ainflamação neurogênica resulta de estímulos nocivos, causando transmissão neuronal ortodrômica (em direção à medula espinhal) e antidrômica (em direção à periferia). Mesmo que a causa subjacente do estímulo nocivo seja tratada, sem abordar a SDPM, a dor pélvica frequentemente persiste. Além disso, o tratamento da SDPM subjacente pode aliviar a urgência urinária, a frequência urinária e os sintomas de dor. <sup> 10–12 </sup>
A fisioterapia do assoalho pélvico (FAAP) concentra-se na musculatura da pelve e da coluna vertebral, com o objetivo de melhorar as funções muscular, urinária, defecatória e sexual. A FAAP isoladamente tem sido amplamente estudada como uma modalidade de tratamento promissora e eficaz para a dor pélvica crônica (DPC). Muitos estudos até o momento, incluindo ensaios clínicos randomizados 10 , 13–15 estudos prospectivos , 16–20 encontraram melhorias significativas no tônus ​​muscular em repouso e na dor relatada, mas raramente encontraram diferenças significativas na qualidade de vida ou na função sexual e dispareunia, conforme relatado em uma recente revisão sistemática da literatura. 21
Até o momento, poucos estudos foram conduzidos para abordar terapias específicas para a síndrome da dor pélvica miofascial (SDPM) além da fisioterapia do assoalho pélvico (FAAP). Weiss estudou um grupo de pacientes com bexiga dolorosa ou síndrome de urgência-frequência e mostrou que 83% dos pacientes com urgência-frequência e 70% dos pacientes com síndrome da bexiga dolorosa apresentaram melhora significativa ou resolução completa com fisioterapia manual.<sup> 22 </sup> Relatos de casos, bem como pequenas séries de casos, mostraram melhora na dispareunia e na dor pélvica com a injeção de toxina botulínica (Botox) nos músculos do assoalho pélvico hipertônicos. <sup> 23,24 </sup> Um ensaio clínico randomizado, controlado e duplo-cego com 60 pacientes, no qual foram utilizadas injeções de Botox versus solução salina, demonstrou melhora na dor pélvica e na dispareunia no grupo Botox, com melhora apenas na dispareunia no grupo solução salina; entretanto, dados mais recentes de um ensaio clínico randomizado e controlado sugerem que não há diferenças entre aqueles que receberam injeções de onabotulinumtoxina A para dor pélvica miofascial em comparação com o grupo placebo. 25 , 26 Em outro estudo com pacientes com dor pélvica crônica e pontos-gatilho no músculo elevador do ânus, 13 de 18 pacientes apresentaram melhora superior a 50% em um acompanhamento médio de 3 meses após uma única injeção no ponto-gatilho com uma mistura de esteroide e anestésico local. 27 Dois ensaios clínicos randomizados independentes com supositórios intravaginais de diazepam não demonstraram diferença no tônus ​​pélvico em repouso ou como tratamento para hipertonia pélvica, respectivamente, quando comparados ao placebo. 28 , 29
O presente estudo foi concebido para investigar mais a fundo a terapia de injeção para o tratamento da dor pélvica crônica (DPC) e da síndrome da dor pélvica miofascial (SDPM), especificamente em combinação com a fisioterapia do assoalho pélvico (FAPF). Pacientes com essas condições podem apresentar quadros refratários que não respondem ao tratamento ou ter um tempo de resposta prolongado à fisioterapia. Os bloqueios pudendos são utilizados há décadas em áreas como obstetrícia, urologia e cirurgia colorretal, entre outras, com morbidade mínima.<sup> 30-32 </sup> Bloqueios pudendos com anestésico local ou anestésico local com corticoide têm sido utilizados como tratamento adjuvante à fisioterapia para pacientes com SDPM. Em pacientes com SDPM, os bloqueios pudendos proporcionam anestesia, tornando a fisioterapia vaginal manual mais tolerável.<sup> 10</sup> Esses bloqueios também diminuem a inervação do assoalho pélvico, potencialmente reduzindo o espasmo e a dor pélvica. <sup> 33</sup> Essa terapia tem sido utilizada por profissionais no tratamento da SDPM; no entanto, não foram publicados estudos clínicos prospectivos avaliando essa intervenção. 10 , 33 O objetivo deste estudo foi avaliar se a adição de bloqueios do nervo pudendo, utilizando uma combinação de esteroide e anestésico local, poderia potencializar os efeitos terapêuticos da fisioterapia do assoalho pélvico (FAAP) em mulheres com síndrome da dor pélvica miofascial (SDPM). Especificamente, o estudo visou avaliar as melhorias na redução da dor, sensibilidade muscular, força do assoalho pélvico e indicadores de qualidade de vida, comparando os resultados entre pacientes que receberam bloqueios do nervo pudendo e aquelas que receberam injeções de placebo durante um período de 8 semanas.

Métodos

Desenho do ensaio

Este foi um estudo prospectivo, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, com uma proporção de alocação de 2:1 para tratamentos ativos versus placebo. Os participantes foram randomizados para receber bloqueios do nervo pudendo (BNP) com uma intervenção ativa ou uma injeção de placebo, além de fisioterapia do assoalho pélvico (FAAP). Não houve alterações no desenho do estudo após o seu início.

Participantes

Os critérios de elegibilidade incluíam mulheres não grávidas com 18 anos ou mais, diagnosticadas com síndrome da dor pélvica miofascial (SDPM), sem experiência prévia com fisioterapia do assoalho pélvico (FAAP), capazes de fornecer consentimento livre e esclarecido e dispostas a participar da randomização. Os critérios de exclusão incluíam FAAP prévia, alergia a qualquer componente da injeção, incapacidade de preencher os questionários do estudo ou incapacidade de comparecer às consultas de acompanhamento. As participantes foram recrutadas na Divisão de Uroginecologia e Cirurgia Reconstrutiva Pélvica (URPS) do Centro Médico da Universidade da Califórnia, Irvine. A aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa foi obtida (estudo HS#2009-6784) e todas as participantes forneceram consentimento livre e esclarecido por escrito antes da inclusão no estudo.

Intervenções

Um exame basal padrão foi realizado pelo fisioterapeuta utilizando instrumentos validados para avaliar a localização da dor e tensão pélvicas. A dor subjetiva do assoalho pélvico foi classificada utilizando a escala visual analógica de 1 a 10. A força do assoalho pélvico foi classificada utilizando a escala de Oxford modificada. A mialgia à palpação da musculatura do assoalho pélvico foi classificada em uma escala de 1 a 4, sendo 1 ausência de dor à palpação digital e 2, 3 e 4 dor leve, moderada e intensa à palpação, respectivamente. As áreas de maior desconforto foram identificadas e registradas. As leituras basais de eletromiografia (EMG) vaginal foram medidas em repouso e com contração máxima do assoalho pélvico para avaliar a hipertonia do assoalho pélvico. As participantes responderam a questionários basais, incluindo o Questionário de Impacto do Assoalho Pélvico (PFIQ), o Inventário de Desconforto do Assoalho Pélvico (PFDI), o Índice de Função Sexual Feminina (FSFI) e o Questionário de Saúde SF-36 (Short Form 36 Health Survey).
Todos os participantes receberam fisioterapia padronizada para o assoalho pélvico (PFPT) semanalmente durante 8 semanas. Durante o período de tratamento, foram utilizadas técnicas padrão de fisioterapia, incluindo palpação manual interna e liberação de pontos-gatilho, alongamento muscular, biofeedback e liberação de cicatrizes abdominais. Os participantes realizaram uma autoavaliação da dor semanalmente, utilizando uma escala visual analógica (EVA). A pontuação de mialgia, a pontuação de Oxford modificada e o ponto de maior sensibilidade foram registrados pelo fisioterapeuta responsável em cada consulta. Os participantes do grupo ativo receberam bloqueios nervosos periféricos (BNP) semanais, compostos por 8 mL de bupivacaína a 0,5%, 1 mL de triancinolona a 10 mg/mL e 1 mL de bicarbonato de sódio a 8,4% (total de 10 mL, 5 mL por local). As injeções de placebo consistiram em 5 mL de solução salina por local. As injeções foram realizadas sob orientação ultrassonográfica por dois médicos especialistas em ureterorrenoscopia (URPS) certificados, ao longo de 6 semanas, no início de cada sessão de PFPT. Os pacientes foram observados por 1 hora após a injeção, durante a primeira consulta.

Resultados

O desfecho primário foi a redução da dor, medida pela Escala Visual Analógica (EVA) no início do estudo e 8 semanas após o tratamento. Os desfechos secundários incluíram a força do assoalho pélvico (Escala de Oxford Modificada), escores de mialgia (graduados de 1 a 4) e métricas de qualidade de vida avaliadas pelo Inventário de Desconforto do Assoalho Pélvico (PFDI), Questionário de Impacto do Assoalho Pélvico (PFIQ), Índice de Função Sexual Feminina (FSFI) e Questionário de Saúde de Forma Curta (SF-36). A eletromiografia vaginal (EMG) foi utilizada para avaliar a hipertonia em repouso e durante a contração máxima. Não houve alterações nas medidas de desfecho após o início do estudo.

Tamanho da amostra

A análise de poder estatístico indicou que 32 participantes seriam necessários para atingir 80% de poder para detectar uma redução de 50% nos escores da Escala Visual Analógica (EVA) entre os grupos, com um nível de significância de 5%, considerando possíveis desistências.

Randomização e mascaramento

A randomização foi realizada na proporção de 2:1, utilizando envelopes lacrados e numerados sequencialmente, contendo alocações geradas por computador. A decisão de incluir mais pacientes nos grupos de tratamento em comparação com o grupo controle foi tomada devido às altas taxas de abandono/retenção relatadas em estudos com placebo para dor. A sequência de alocação foi implementada por um coordenador do estudo que não estava envolvido no atendimento aos pacientes. Tanto os participantes quanto os fisioterapeutas responsáveis ​​pelo tratamento desconheciam a qual grupo cada tratamento pertencia. As injeções do medicamento ativo e do placebo eram visualmente indistinguíveis para garantir a integridade do cegamento.

Métodos estatísticos

A análise estatística seguiu os princípios da intenção de tratar. Testes t pareados foram usados ​​para comparações intragrupo e testes qui-quadrado foram aplicados para variáveis ​​categóricas. A análise de variância de medidas repetidas (ANOVA) avaliou as mudanças ao longo do tempo entre os grupos. Uma análise de modelo misto foi usada para lidar com dados faltantes. A análise por protocolo também foi realizada, e os participantes podiam migrar para o tratamento ativo caso não observassem melhora.

Resultados

Um total de 122 pacientes foram triados durante o período do estudo, de 2009 a 2014. O motivo mais comum para exclusão foi a recusa em aceitar a randomização para o grupo placebo. Quarenta pacientes foram incluídos no estudo, e seis pacientes desistiram após a avaliação inicial do assoalho pélvico. Trinta e quatro pacientes foram randomizados na proporção de 2:1 para receber injeções pudendas ou placebo ( Figura 1 ). A maioria dos pacientes era composta por mulheres caucasianas (74% caucasianas, 12% hispânicas, 9% afro-americanas e 6% asiáticas), com mediana de idade de 46 anos (variação de 22 a 69 anos, p  = 0,975). Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre os grupos de tratamento em termos de características demográficas ( p  = 0,5). Entre os 34 pacientes randomizados que concluíram o estudo, 7 (58%) no grupo placebo e 17 (77%) no grupo pudendo completaram todos os tratamentos atribuídos no período de tratamento de 6 semanas ( Tabela 1 ).

Valores de p baseados em α = 0,005; teste t de Student e ANOVA, bicaudal, assumindo não variância. “Geniturinário” inclui bexiga hiperativa e espasmos da bexiga; “Inflamatório” inclui endometriose, cistite intersticial, fibromialgia, síndrome do intestino irritável e infecção vaginal crônica; “Neurológico” inclui doenças da coluna vertebral e neuropáticas; “Trauma” inclui trauma acidental, sexual ou relacionado a cirurgia.


A medida de desfecho primário, dor pela escala VAS, foi de 7,1 ± 0,6 no grupo pudendo e 6,4 ± 0,8 no grupo placebo no início do estudo, e de 3,7 ± 0,8 e 3,6 ± 1,1 no acompanhamento de 8 semanas. Ao longo do tempo, ambos os grupos apresentaram reduções significativas na dor ( p  < 0,001), mas não foram observadas diferenças significativas entre os grupos pudendo e placebo ( p  = 0,70). A pontuação máxima de sensibilidade muscular também diminuiu significativamente de 3,5 ± 0,1 para 2,7 ± 0,2 no grupo pudendo e de 3,2 ± 0,2 para 2,3 ± 1,6 no grupo placebo ( p  = 0,003), mas não foram observadas diferenças entre os grupos ( p  = 0,15; Tabela 2 ). Não foram observadas diferenças significativas na EMG vaginal em repouso, porém, ao longo do tempo, ambos os grupos demonstraram aumento da força de contração do assoalho pélvico pela EMG máxima e pela escala de palpação digital de Oxford modificada ( Tabela 3 ).

O PFDI e o PFIQ apresentaram melhorias significativas no acompanhamento de 8 semanas ( p  = 0,04 e p  = 0,02, respectivamente), com pontuações mais baixas demonstrando menor impacto negativo e sofrimento ( Tabela 4 ). O SF-36 é dividido em pontuações de saúde física e mental. Melhorias significativas no componente de saúde mental foram observadas ao longo do tempo ( p  < 0,001). Nenhuma diferença significativa foi observada no FSFI geral ( p  = 0,29; Tabela 4 ).


Oito complicações de grau 1 de Dindo (problema pós-operatório menor que não requer tratamento invasivo e se resolve com cuidados padrão) ocorreram durante o período do estudo. Quatro no grupo pudendo e quatro no grupo placebo. Duas pacientes do grupo pudendo apresentaram dormência transitória na perna/dedo do pé e duas apresentaram sangramento vaginal moderado no local da injeção, todos com resolução espontânea. Todas as quatro pacientes do grupo placebo apresentaram sangramento vaginal, sendo que em três casos o sangramento foi resolvido com compressão e em uma foi necessário tamponamento vaginal antes da resolução.
Dos 12 pacientes inicialmente tratados com placebo, 8 optaram por iniciar a fisioterapia com bloqueio pudendo após a consulta de acompanhamento de 8 semanas. Quatro (18%) do grupo pudendo e cinco (42%) do grupo placebo completaram as avaliações e questionários de acompanhamento de 6 meses após as 8 semanas iniciais de tratamento. Consequentemente, não foi possível tirar conclusões sobre a durabilidade dos resultados do tratamento em nenhum dos grupos.

Discussão

A dor pélvica crônica (DPC) e a síndrome da dor miofascial (SDMF) são condições complexas que representam desafios diagnósticos e terapêuticos. Este estudo teve como objetivo investigar a eficácia do bloqueio pudendo em combinação com fisioterapia para o tratamento da SDMF e da DPC. Embora os resultados tenham revelado uma redução significativa nos escores de dor ao longo do tempo em ambos os grupos (bloqueio pudendo e placebo), as melhorias nos escores de dor foram semelhantes entre os dois grupos. Isso sugere que as melhorias observadas podem ser atribuídas ao efeito geral da fisioterapia do assoalho pélvico isoladamente, e não à intervenção específica do bloqueio pudendo. Notavelmente, o estudo não incluiu um grupo que recebeu apenas fisioterapia do assoalho pélvico, o que limita a possibilidade de tirar conclusões definitivas sobre as contribuições individuais do bloqueio pudendo, bem como sobre o efeito da injeção isoladamente no controle da dor.
Resultados semelhantes foram observados em estudos anteriores que investigaram intervenções para a dor pélvica crônica. Por exemplo, um ensaio randomizado de FitzGerald et al.<sup> 14</sup> demonstrou que a fisioterapia miofascial melhorou significativamente os sintomas em pacientes com síndromes de dor pélvica urológica, embora a adição de injeções direcionadas em pontos-gatilho tenha apresentado resultados mistos. Outro estudo de Weiss <sup>22</sup> sugeriu que, embora os bloqueios do nervo pudendo possam oferecer algum benefício, a maior parte do alívio dos sintomas foi atribuída a programas abrangentes de fisioterapia.
Os escores de sensibilidade muscular também diminuíram significativamente em ambos os grupos, indicando uma redução na tensão dos músculos do assoalho pélvico. A correlação inversa observada entre os escores de dor e a força muscular pélvica sugere que, à medida que a dor diminui, a força muscular pélvica aumenta. Isso pode ser um indicativo do impacto benéfico da fisioterapia na função muscular e na redução da dor.
Em termos de qualidade de vida, ambos os grupos relataram menos sofrimento e melhorias na saúde mental. No entanto, não foram observadas diferenças significativas na função sexual feminina entre os grupos. Vale ressaltar que o estudo contou com um número reduzido de participantes sexualmente ativas, o que pode ter influenciado os resultados. Mais pesquisas com uma amostra maior e foco na função sexual são necessárias para uma melhor compreensão da relação entre dor pélvica crônica, intervenções terapêuticas e saúde sexual.
É importante reconhecer as limitações deste estudo. A falta de acompanhamento a longo prazo limita a capacidade de determinar se mais tempo é necessário para observar todo o potencial da intervenção. Além disso, um número substancial de participantes perdidos durante o acompanhamento prejudicou a capacidade de avaliar a durabilidade da redução da dor e os resultados do tratamento. O estudo também foi dimensionado para detectar uma diferença de 50% na dor entre os grupos, o que pode ter negligenciado diferenças menores, porém clinicamente significativas, que poderiam existir.
Além disso, a ausência de um grupo controle sem intervenção limitou nossa capacidade de tirar conclusões sobre os efeitos do agulhamento seco/úmido. Embora algumas séries de casos possam sugerir um benefício potencial do agulhamento no tratamento da dor pélvica, 34 não houve estudos prospectivos investigando os efeitos do agulhamento seco na pelve. No entanto, tanto o agulhamento seco quanto o úmido têm demonstrado resultados promissores no tratamento da dor em outras partes do corpo.35,36 Infelizmente , nenhuma conclusão desse tipo pode ser extraída deste estudo, sendo necessárias mais pesquisas comparando a fisioterapia do assoalho pélvico com e sem agulhamento seco / úmido para explorar seus potenciais benefícios.
As melhorias observadas na dor e na sensibilidade muscular, tanto no grupo pudendo quanto no grupo placebo, também levantam questões sobre o efeito placebo. A literatura que explora os benefícios do efeito placebo no controle da dor é vasta e sugere uma melhora da dor de até 35% atribuível apenas ao placebo. <sup> 37-40 </sup> Alguns estudos mostraram que ensaios controlados por placebo em prostatite crônica/síndrome da dor pélvica crônica frequentemente revelam respostas placebo substanciais, o que sugere que as expectativas do paciente e os fatores psicológicos desempenham um papel crucial na percepção e no manejo da dor.<sup> 41</sup> A expectativa de alívio da dor pode levar à redução real da dor, enfatizando a necessidade de mais pesquisas sobre os mecanismos de ação específicos e as estratégias de tratamento mais eficazes para a DPC.
Em conclusão, este estudo sugere que os bloqueios pudendos podem não oferecer um benefício significativo em comparação com a injeção de solução salina quando combinados com a fisioterapia do assoalho pélvico (FAAP); um grupo submetido apenas à FAAP não foi incluído, o efeito do agulhamento seco/úmido isoladamente não pôde ser analisado e o efeito do placebo não foi controlado. Por outro lado, observou-se melhora significativa nos escores de dor e nas medidas de qualidade de vida em ambos os grupos, reforçando ainda mais os benefícios conhecidos da FAAP isoladamente no tratamento da dor pélvica crônica. Os resultados destacam a importância de estudos maiores com períodos de acompanhamento mais longos para determinar a durabilidade da redução da dor e explorar outras modalidades de tratamento potenciais, a fim de otimizar e individualizar o cuidado do paciente com essa condição complexa.

Declaração de conflito de interesses

Os autores declararam não haver potenciais conflitos de interesse em relação à pesquisa, autoria e/ou publicação deste artigo.

Financiamento

Os autores declararam ter recebido o seguinte apoio financeiro para a pesquisa, autoria e/ou publicação deste artigo: bolsa da AUGS e bolsa da Fundação de Pesquisa PFD.

IDs ORCID

Notas de rodapé

Participação do autor
J Ramstein: Redação do manuscrito, Análise de dados.
D Markle Price: Desenvolvimento do projeto, Coleta de dados, Análise de dados, Redação do manuscrito.
A Al Saleh: Redação de manuscritos.
F Lane: Desenvolvimento do projeto, Coleta de dados, Análise de dados, Redação do manuscrito.
Aprovação do IRB: Estudo IRB, HS# 2009-6784; Centro Médico da Universidade da Califórnia, Irvine.
Registro do ensaio clínico no ClinicalTrials.gov: Identificador: NCT0092856.

Declaração de disponibilidade de dados

Os dados da pesquisa estão disponíveis mediante solicitação.

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Fonte: 
Journals.sagepub.com /doi/ 10. 1177/22840265251340366 #bibr14-22840265251340366









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