sábado, 24 de outubro de 2026

Estudo investiga os efeitos dos cuidados de enfermagem na qualidade de vida de mulheres com endometriose

         Olá a todos. Após algum tempo sem atualizarmos aqui, retornamos com uma matéria bem importante!
        Trata-se de um estudo clínico que investigou os efeitos de um programa de cuidados de enfermagem sobre a qualidade de vida da mulher com endometriose. Antes de continuar, acredito que definir alguns termos e siglas pode melhorar a fluidez do texto e ajudar na sua compreensão. São eles:

• ENCP: abreviação para Endometriosis Nursing Care Program (Programa de Cuidados de Enfermagem na Endometriose);

• EHP-5 (Endometriosis Health Profile): em português: Perfil de Saúde da Endometriose.É a versão reduzida do questionário médico utilizado para avaliar o impacto da endometriose na qualidade de vida das mulheres;

• HPLP-II (Health-Promoting Lifestyle Profile II): é um questionário validado internacionalmente, usado para medir o grau de adesão de uma pessoa a um estilo de vida promotor de saúde.

Nota ao leitor: Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educativo, sem finalidade de lucro. O texto apresenta uma síntese, em linguagem acessível, de um estudo científico, com indicação da fonte original.


         Uma pesquisa conduzida por Ayse Gul Bursa e Nevin Sahin, publicada em 2026 na revista científica Scientific Reports, avaliou os efeitos de um programa de cuidados de enfermagem sobre a qualidade de vida e os comportamentos relacionados a um estilo de vida saudável em mulheres com endometriose. 
          O estudo foi conduzido para determinar o efeito do ENCP, desenvolvido de acordo com o Health Promotion Model (Modelo de Promoção da Saúde) para mulheres com endometriose, na qualidade de vida e nos comportamentos de estilo de vida saudáveis ​​das mulheres.
        Foi um ensaio clínico prospectivo, aleatorizado, unicêntrico e controlado, conduzido com 46 mulheres que responderam ao questionário de Perfil de Saúde da Endometriose e obtiveram pontuação maior ou igual a 22. As participantes foram designadas, aleatoriamente, a dois grupos: um de intervenção e outro grupo de controle. O primeiro obteve a atenção do ENCP e o outro recebeu cuidados de rotina.
        Para analisar os dados, foi definida uma estatística significativa de p<0,05, onde o valor de ‘p’ avalia a probabilidade de os resultados encontrados terem acontecido por puro acaso. O grupo que se beneficiou do ENCP, obteve o valor p<0,001 após a intervenção e resultados positivos em ambos desfechos do estudo.O primeiro medido pelo EHP-5, mostrava no início do estudo a pontuação média no questionário de 61,8 pontos e o desvio padrão de 11,4 e após a intervenção, a média do grupo caiu drasticamente para 32,1 pontos. Levando em conta que o EHP-5 é utilizado para avaliar o impacto da endometriose na qualidade de vida de pacientes, pontuações mais altas indicam pior qualidade de vida. . Portanto, o trecho mostra que a intervenção de cuidados analisada indicam uma melhora expressiva na pontuação de qualidade de vida no grupo que recebeu o programa, pois reduziu significativamente a média de pontuação dos sintomas (de 61,8 para 32,1), o que representa uma melhora expressiva na qualidade de vida dos pacientes estudados. O segundo desfecho foi avaliado pelo HPLP-II e a pontuação média aumentou de 132,04 antes da intervenção para 164,17 após o programa, indicando melhora nos comportamentos avaliados. 
        Já no grupo de controle, que recebeu os cuidados de rotina, não foram observadas mudanças estatisticamente significativas nesses resultados.
       Os resultados sugerem que intervenções estruturadas de enfermagem podem desempenhar um papel importante no cuidado abrangente à endometriose. 
O estudo foi desenvolvido como um ensaio clínico controlado, aleatorizado, unicêntrico e prospectivo, de acordo com as diretrizes CONSORT (Consolidated Standards of Reporting Trials).
        O estudo foi conduzido numa Clínica Ambulatorial de Endometriose de um hospital de ensino e pesquisa na Turquia entre maio de 2021 e maio de 2022.
         Foram elegíveis para inclusão, mulheres na faixa etária entre 20 e 45 anos, diagnosticadas com endometriose e pontuação igual ou maior a 22 no questionário EHP-5 (o que indicava comprometimento da qualidade de vida segundo os critérios adotados no estudo).
Inicialmente, foram recrutadas 52 mulheres. Durante o estudo, seis foram excluídas da análise final: quatro engravidaram e duas se mudaram para outra cidade. Assim, os resultados foram analisados com base em 46 participantes, divididas igualmente entre dois grupos: 23 receberam o Programa de Cuidados de Enfermagem na Endometriose (ENCP), enquanto outras 23 formaram o grupo de controle, que recebeu os cuidados de rotina.
Entre os critérios de exclusão estavam dificuldades de comunicação e diagnóstico de doença psiquiátrica.
        O programa ENCP foi desenvolvido com base no Modelo de Promoção da Saúde e aplicado individualmente, em duas sessões presenciais de aproximadamente 60 minutos, com intervalo de duas semanas. As sessões foram conduzidas por uma enfermeira pesquisadora com formação em cuidados de saúde da mulher, aconselhamento sobre endometriose e promoção da saúde. O grupo de controle recebeu os cuidados de rotina.
        Para coletar os dados, os pesquisadores utilizaram quatro instrumentos: três questionários e um formulário de feedback. O primeiro foi um questionário demográfico elaborado com base na literatura e continha 50 perguntas, distribuídas em seis seções. Reunia informações sociodemográficas e dados sobre histórico médico geral, obstétrico, menstrual, de endometriose, sexual e de infertilidade.
        A qualidade de vida foi avaliada pelo EHP-5, questionário específico para medir o impacto da endometriose nessa área. analisando aspectos centrais como dor, impotência, bem-estar emocional, entre outros.Também inclui áreas específicas relacionadas ao trabalho, aos relacionamentos com os filhos, à vida sexual, aos profissionais de saúde, ao tratamento e à infertilidade.Utiliza uma escala de pontuação que varia de 0 a 4, sendo que valores mais altos indicam pior qualidade de vida.
        Os comportamentos relacionados à promoção da saúde foram avaliados pelo HPLP-II, instrumento com 52 itens que abrange seis dimensões: responsabilidade pela saúde, atividade física, nutrição, autorrealização, relações interpessoais e gerenciamento do estresse. Sua pontuação varia de 52 a 208 e as pontuações mais altas indicam maior presença desses comportamentos.
        Por fim, o formulário de feedback desenvolvido pelos pesquisadores, composto de 16 perguntas, de modo a avaliar a satisfação das participantes com o programa ENCP, a realização das práticas recomendadas e sugestões de melhoria.
        As mulheres atendidas na Clínica de Endometriose foram abordadas individualmente pela pesquisadora e, após receberem informações sobre a pesquisa, assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido. Elas também foram informadas de que poderiam desistir da participação a qualquer momento.
        Antes da distribuição aleatória entre os grupos, as participantes elegíveis foram informadas de que fariam parte de um estudo sobre endometriose, sem receber detalhes sobre o programa ENCP ou saber previamente qual grupo integrariam.
        O grupo de intervenção participou de duas sessões presenciais e individuais do programa, com duração aproximada de 60 minutos cada e intervalo de duas semanas. O grupo de controle recebeu os cuidados habituais. As avaliações dos resultados foram realizadas oito semanas após a conclusão da intervenção.
        O Programa de Cuidados de Enfermagem na Endometriose foi desenvolvido com base no Modelo de Promoção da Saúde, de Pender, e adaptado às características e experiências individuais das participantes.
        Aplicado individualmente, em duas sessões presenciais de aproximadamente 60 minutos, com intervalo de duas semanas, o programa foi conduzido por uma enfermeira pesquisadora especializada em saúde da mulher e capacitada em aconselhamento sobre endometriose e promoção da saúde.
        De acordo com a Tabela 1 do estudo, a primeira etapa abordou informações sobre a endometriose, incluindo fatores de risco, sinais e sintomas, diagnóstico, tratamento e complicações, além das experiências anteriores das participantes e dos fatores que influenciavam sua qualidade de vida.
        Na etapa seguinte, foram discutidos os benefícios e os obstáculos à adoção de hábitos saudáveis, a confiança das participantes na própria capacidade de realizar mudanças, a importância do apoio de familiares e amigos e a influência do ambiente na manutenção desses comportamentos.
        Por fim, o programa contemplou o planejamento de ações para melhorar a qualidade de vida e iniciar ou manter hábitos saudáveis, considerando as necessidades e preferências individuais.
        No que diz respeito aos aspectos éticos, o estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa Clínica da Faculdade de Medicina Cerrahpaşa, em Istambul, e contou com autorização das instituições envolvidas. A pesquisa seguiu os princípios da Declaração de Helsinque, e todas as participantes forneceram consentimento voluntário por escrito. Após a coleta de dados, o programa de cuidados também foi oferecido ao grupo de controle, por razões éticas. O ensaio foi registrado no ClinicalTrials.gov sob o número NCT05402943.
        Chegando aos resultados, o desfecho do estudo contou com 46 mulheres que o concluíram, divididas entre os grupos de controle, que receberam cuidados de rotina e o grupo que recebeu o programa ENCP. Os grupos apresentavam características gerais comparáveis no início da pesquisa.
        Foram avaliados a qualidade de vida, através do questionário EHP-5 e comportamentos promotores da saúde utilizando o questionário HPLP-II, como já citado anteriormente.
        No grupo ENCP, foram observadas melhoras em diferentes dimensões da qualidade de vida, além de apresentar melhora nas seis dimensões avaliadas pelo HPLP-II: responsabilidade com a saúde, atividade física, nutrição, autorrealização, relações interpessoais e manejo do estresse. Por fim, todas as 23 participantes do grupo ENCP relataram satisfação com o programa e afirmaram que seus conhecimentos sobre endometriose haviam aumentado.
        Uma informação relevante é de que na comparação entre os grupos após a intervenção, não houve diferença estatisticamente significativa em três dimensões: relacionamento com os filhos, relação com profissionais de saúde e infertilidade.
        As informações básicas das participantes, bem como as comparações dos resultados das pontuações entre os grupos estão detalhadas em três tabelas distintas que podem ser consultadas no artigo original: Artigo original (em inglês).
       Chegando aos finalmentes, o artigo mostra que o grupo que obteve os cuidados do ENCP apresentou resultados positivos entre as participantes. Os autores consideram que intervenções estruturadas de enfermagem podem ter um papel importante no cuidado multidisciplinar oferecido às mulheres com endometriose.
        Os pesquisadores reforçam a importância da conscientização do público geral, bem como dos profissionais de saúde e sugerem que programas de certificação devem ser implementados para melhorar a qualidade dos cuidados. Ainda defendem (e este ponto eu colocaria acima de tudo) que as mulheres sejam ativas nas decisões sobre seu tratamento e cuidado.
        O estudo se limitou a um pequeno grupo de amostra, então os resultados não devem ser generalizados e o curto período de acompanhamento também impediu avaliar se os efeitos da intervenção se mantêm a longo prazo.


        Hello everyone. After some time without updating here, we're back with a very important article!
        This is a clinical study that investigated the effects of a nursing care program on the quality of life of women with endometriosis. Before continuing, please note that defining some terms and acronyms can improve the flow of the text and help with your understanding. They are:


• ENCP: abbreviation for Endometriosis Nursing Care Program;

• EHP-5 (Endometriosis Health Profile): in Portuguese: Endometriosis Health Profile. It is the abbreviated version of the medical questionnaire used to assess the impact of endometriosis on women's quality of life;

• HPLP-II (Health-Promoting Lifestyle Profile II): is an internationally validated questionnaire used to measure a person's degree of adherence to a health-promoting lifestyle.


Note to the reader: This content is for informational and educational purposes only, with no profit motive. The text presents a summary, in accessible language, of a scientific study, indicating the original source.


        A study conducted by Ayse Gul Bursa and Nevin Sahin, published in 2026 in the scientific journal Scientific Reports, evaluated the effects of a nursing care program on the quality of life and healthy lifestyle behaviors in women with endometriosis.
        The study was conducted to determine the effect of the ENCP (Endometriosis Care Program), developed according to the Health Promotion Model for women with endometriosis, on the quality of life and healthy lifestyle behaviors of women.
        It was a prospective, randomized, single-center, controlled, limited clinical trial with 46 women who answered the Endometriosis Health Profile questionnaire and obtained scores greater than or equal to 22. Participants were randomly assigned to two groups: an intervention group and a control group. The first received ENCP care and the other received routine care.
        To analyze the data, a significant statistic of p<0.05 was defined, where the value of ‘p’ assesses the probability that the results found occurred by pure chance. The group that benefited from the ENCP obtained a p-value<0.001 after the intervention and positive results in both study outcomes. The first, measured by the EHP-5, showed an average score of 61.8 points and a standard deviation of 11.4 at the beginning of the study, and after the intervention, the group average dropped to 32.1 points. Considering that the EHP-5 is used to assess the impact of endometriosis on patients' quality of life, higher scores indicated a worse quality of life. Therefore, the excerpt shows that the care intervention demonstrates a significant improvement in the quality of life classification in the group that received the program, as it significantly increases the average symptom score (from 61.8 to 32.1), which represents a significant improvement in the quality of life of the patients studied.
        In the control group, which received routine care, no statistically significant changes were observed in these results.
        The results suggest that structured nursing interventions can play an important role in comprehensive endometriosis care.
        The study was developed as a randomized, single-center, prospective controlled clinical trial, in accordance with the CONSORT (Consolidated Standards of Reporting Trials) guidelines.
        The study was conducted at an Endometriosis Outpatient Clinic of a teaching and research hospital in Turkey between May 2021 and May 2022.
        Eligible participants were women aged 20 to 45 years, classified as having endometriosis and scoring 22 or higher on the EHP-5 questionnaire (indicating impaired quality of life according to the study's criteria).
        Initially, 52 women were recruited. During the study, six were removed from the final analysis: four became pregnant and two moved to another city. Thus, the results were analyzed based on 46 participants, divided equally between two groups: 23 received the Endometriosis Nursing Care Program (ENCP), while another 23 formed the control group, which received routine care.
        Exclusion criteria included communication difficulties and a diagnosis of psychiatric illness.
      The ENCP program was developed based on the Health Promotion Model and applied individually, in two face-to-face sessions of approximately 60 minutes each, with a two-week interval. The sessions were conducted by a nurse researcher with training in women's health care, endometriosis counseling, and health promotion. The control group received routine care.
        To collect the data, the researchers used four instruments: three questionnaires and a feedback form. The first was a demographic questionnaire developed based on the literature and contained 50 questions, distributed in six sections. It gathered sociodemographic information and data on general, obstetric, menstrual, endometriosis, sexual, and infertility medical history.
        Quality of life was assessed using the EHP-5, a questionnaire specifically designed to measure the impact of endometriosis in this area, analyzing key aspects such as pain, impotence, emotional well-being, among others. It also includes specific areas related to work, relationships with children, sex life, healthcare professionals, treatment, and infertility. It uses a scoring scale ranging from 0 to 4, with higher values ​​indicating poorer quality of life.
        Behaviors related to health promotion were assessed using the HPLP-II, an instrument with 52 items covering six dimensions: responsibility for health, physical activity, nutrition, self-realization, interpersonal relationships, and stress management. Their scores range from 52 to 208, with higher scores indicating a greater presence of these behaviors.
        Finally, the feedback form developed by the researchers, consisting of 16 questions, was designed to assess participants' satisfaction with the ENCP program, the implementation of recommended practices, and suggestions for improvement.
        The women seen at the Endometriosis Clinic were approached individually by the researcher and, after receiving information about the research, signed the informed consent form. They were also informed that they could withdraw from participation at any time.
        Before random assignment to the groups, eligible participants were informed that they would be part of a study on endometriosis, without receiving details about the ENCP program or knowing in advance which group they would be in.
        The intervention group participated in two face-to-face, individual sessions of the program, lasting approximately 60 minutes each, with a two-week interval. The control group received the usual care. Outcome assessments were conducted eight weeks after the intervention was completed.
        The Nursing Care Program for Endometriosis was developed based on Pender's Health Promotion Model and adapted to the individual characteristics and experiences of the participants.
        Applied individually, in two face-to-face sessions of approximately 60 minutes, with a two-week interval, the program was conducted by a research nurse specializing in women's health and trained in endometriosis counseling and health promotion.
        According to Table 1 of the study, the first stage addressed information about endometriosis, including risk factors, signs and symptoms, diagnosis, treatment and complications, as well as the participants' previous experiences and the factors that influenced their quality of life.
        In the next stage, the benefits and obstacles to adopting healthy habits, the participants' confidence in their own ability to make changes, the importance of support from family and friends, and the influence of the environment on maintaining these behaviors were discussed.
        Finally, the program included the planning of actions to improve quality of life and initiate or maintain healthy habits, considering individual needs and preferences.
     Regarding ethical aspects, the study was approved by the Clinical Research Ethics Committee of Cerrahpaşa Medical School in Istanbul and had authorization from the institutions involved. The research followed the principles of the Declaration of Helsinki, and all participants provided voluntary written consent. After data collection, the care program was also offered to the control group for ethical reasons. The trial was registered on ClinicalTrials.gov under number NCT05402943.
        Regarding the results, the study outcome included 46 women who completed it, divided between the control group, which received routine care, and the group that received the ENCP program. The groups had comparable general characteristics at the beginning of the research.
        Quality of life was assessed using the EHP-5 questionnaire, and health-promoting behaviors were assessed using the HPLP-II questionnaire, as previously mentioned.
         In the ENCP group, improvements were observed in different dimensions of quality of life, in addition to improvements in the six dimensions assessed by the HPLP-II: responsibility for health, physical activity, nutrition, self-realization, interpersonal relationships, and stress management. Finally, all 23 participants in the ENCP group reported satisfaction with the program and stated that their knowledge about endometriosis had increased.
        Relevant information is that in the comparison between the groups after the intervention, there was no statistically significant difference in three dimensions: relationship with children, relationship with health professionals, and infertility.
        The basic information of the participants, as well as the comparisons of the score results between the groups, are detailed in three separate tables that can be consulted in the original article.
        Finally, the article shows that the group that received care from ENCP presented positive results among the participants. The authors consider that structured nursing interventions can play an important role in the multidisciplinary care offered to women with endometriosis.
        The researchers reinforce the importance of raising awareness among the general public, as well as healthcare professionals, and suggest that certification programs should be implemented to improve the quality of care. They also advocate (and this point I would place above all) that women be active in decisions about their treatment and care.
        The study was limited to a small sample group, so the results should not be generalized, and the short follow-up period also prevented assessing whether the effects of the intervention are maintained in the long term.



REFERÊNCIA:

BURSA, Ayse Gul; SAHIN, Nevin. Effect of nursing care program on healthy lifestyle behaviours and quality of life in women with endometriosis: a randomised controlled trial. Scientific Reports, 2026.

Link para o artigo original:
Acessar a pesquisa na Scientific Reports

DOI permanente:

https://doi.org/10.1038/s41598-026-73552-1

Licença do artigo:
Creative Commons CC BY-NC-ND 4.0

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

A Saga de Melissa na Luta Contra Endometriose Os Anos Sem e Com Diagnóstico Que Levaram Jovem a Pedir a Eutanásia

Anos sem diagnóstico de endometriose grave levaram jovem colombiana a pedir a eutanásia; história expõe as falhas do sistema de saúde, a invisibilidade da dor crônica e a fronteira entre o direito à morte digna e a falta de assistência médica.

Por Maria Helena Nogueira


Numa das muitas vezes em que chegou a um pronto-socorro dobrada de dor, a colombiana Melisa Gaona ouviu que não havia o que fazer ali: ela não era "uma urgência vital", lhe disse o médico plantonista, mandando-a de volta para casa. Em outro momento, ao insistir que o sofrimento que sentia era absolutamente insuportável, ouviu de outro profissional de saúde uma resposta estarrecedora: se ela queria morrer, que se matasse.

Melisa tem 26 anos, nasceu em Bogotá e convive desde a infância com os impactos devastadores da endometriose, uma doença inflamatória crônica na qual um tecido similar ao endométrio cresce fora do útero. No caso de Melisa, a enfermidade atingiu o estágio mais grave, espalhando-se e comprometendo múltiplos órgãos vitais, além de aniquilar completamente sua rotina e qualidade de vida.

“Dói comer, dói andar, dói evacuar, dói urinar. Isso já não é normal.”

Em 2025, após anos submetida a cirurgias repetidas, coquetéis de medicamentos e internações recorrentes sem nenhum alívio duradouro, Melisa tomou uma decisão extrema que reverberou dentro e fora da Colômbia: formalizou um pedido de eutanásia. A ideia surgiu durante um longo período de hospitalização, quando ela mal sabia o significado preciso da palavra eutanásia, mas redigiu a solicitação sob uma única premissa irrefutável: a de que já não sentia estar vivendo com dignidade.

Anos de Silêncio, Negligência e a Luta por um Diagnóstico

A história de Melisa reflete a realidade de milhões de mulheres ao redor do mundo. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 190 milhões de mulheres e meninas em idade reprodutiva convivem com a endometriose no planeta — o que representa aproximadamente uma em cada dez mulheres. Apesar de sua enorme prevalência, o percurso até o diagnóstico adequado permanece marcado por atrasos inaceitáveis e invalidação sistemática.

Estudos publicados por periódicos renomados, como o New England Journal of Medicine, indicam que o intervalo médio entre a manifestação dos primeiros sintomas e a confirmação diagnóstica varia de 6 a 10 anos. No caso de Melisa, os sinais surgiram ainda na infância e se intensificaram dramaticamente com a primeira menstruação, aos 10 anos de idade. No entanto, o diagnóstico formal só foi estabelecido em 2024, após mais de uma década e meia de peregrinação médica.

Ao longo desse percurso tortuoso, Melisa colecionou diagnósticos errôneos — que variaram de apendicite a suspeitas de câncer e transtornos psiquiátricos —, além de encarar uma sucessão de profissionais que minimizavam suas dores severas.

“Cólica todas têm. Nem minha própria família acreditava. Era eu contra o mundo. O que mais me frustra é não ter sido ouvida e atendida a tempo.”

As consequências da progressão da doença paralisaram a vida de Melisa. Ela precisou interromper a carreira profissional, abandonou o sonho de cursar medicina e passou a ter dificuldades severas até para dormir. As altas dosagens de analgésicos e sedativos costumavam deixá-la em estado de torpor constante. "Meu companheiro diz que, quando fala comigo, é como se conversasse com um zumbi", relata.

De acordo com a dra. Raquel Magalhães, ginecologista especializada em endometriose do Hospital Nove de Julho, a jornada de Melisa é a regra e não a exceção. A médica destaca que a média global envolve cerca de oito anos de atraso diagnóstico, quatro cirurgias mal indicadas e consultas com até dez ginecologistas antes de se alcançar um plano terapêutico adequado.

“As mulheres são levadas a acreditar culturalmente que o sofrimento intenso faz parte do ser mulher”, adverte a ginecologista. Magalhães enfatiza que funções biológicas básicas — como comer, evacuar, urinar e ter relações sexuais sem dor — jamais deveriam ser tratadas como um sacrifício inevitável. Ela pontua ainda que a imensa maioria dos casos de endometriose possui tratamento eficaz quando abordada por equipes multidisciplinares e cirurgiões capacitados, tornando raríssimos os casos em que a dor permanece incontrolável após os cuidados devidos.

O Limite Humano e o Significado da Dignidade

Sem perspectivida de alívio e esgotada pelo sofrimento contínuo, Melisa gravou um vídeo em 2025 relatando sua rotina, o qual viralizou rapidamente nas redes sociais. A exposição pública foi o recurso desesperado que encontrou para ser ouvida pelas autoridades e pelo sistema médico. Contudo, a visibilidade trouxe também ataques perversos: ela passou a receber mensagens de estranhos incitando-a ao suicídio e acusando-a de covardia.

“Ouvi muitas vezes que não tinha dignidade. Mas o que é dignidade? Eu tenho dignidade porque sei o que é sentir dor. É o momento em que a gente diz: 'já não aguento mais'.”

Ao analisar a solicitação formal de Melisa, uma junta médica de um hospital em Bogotá negou o procedimento em julho de 2025. O comitê alegou que os critérios legais de irreversibilidade não haviam sido preenchidos, argumentando que ainda restavam alternativas terapêuticas não exploradas, incluindo um procedimento cirúrgico especializado.

Sem se resignar, Melisa buscou o auxílio do DescLAB (Laboratorio de Derechos Económicos, Sociales y Culturales) — organização jurídica colombiana dedicada à defesa do direito à morte digna. Por meio de uma ação de tutela, recurso constitucional voltado à proteção de direitos fundamentais, ela recorreu da decisão na Justiça. Foi durante esse processo que ela sintetizou o sentimento que balizava sua luta:


“Eu não quero morrer, quero parar de sentir dor.”

O Contexto Legal na Colômbia e o Debate Bioético

A Colômbia é reconhecida internacionalmente como uma das nações mais pioneiras na legislação sobre a morte assistida. A eutanásia foi despenalizada pelo Tribunal Constitucional em 1997 e regulamentada em 2015. Em 2021, o país deu um passo histórico ao remover a exigência de que o paciente estivesse em fase terminal. Desde então, qualquer cidadão com doença grave, incurável e que cause intenso sofrimento físico ou psíquico tem o direito de solicitar o procedimento. Em 2022, o suicídio medicamente assistido também foi descriminalizado.

A própria lei colombiana (Lei 2338) reconhece a endometriose como uma doença crônica, progressiva e debilitante. Dados da Associação Colombiana de Endometriose indicam que mais de uma centena de mulheres já formalizaram pedidos de morte digna em virtude da enfermidade. No entanto, o rigor da lei exige que o sofrimento seja absolutamente irreversível — ou seja, que todas as opções médicas razoáveis tenham sido esgotadas sem sucesso.

Luciana Dadalto, advogada especialista em bioética e presidente da Associação Eu Decido, esclarece a distinção crucial entre sofrimento desesperado e sofrimento intolerável:

“O sofrimento desesperado ocorre quando o paciente sofre porque não teve acesso aos tratamentos e cuidados adequados. Já o sofrimento intolerável é aquele que persiste mesmo após a aplicação de todas as alternativas terapêuticas disponíveis”, conceitua Dadalto. Para a jurista, o caso de Melisa aproxima-se mais de uma falha grave do sistema de saúde do que estritamente do direito de morrer. “A morte assistida não pode se tornar uma saída barata para o Estado se eximir de fornecer saúde pública de qualidade.”

Dadalto detalha ainda as diferenças técnicas entre as modalidades de morte assistida: na eutanásia, o médico administra diretamente a medicação letal; no suicídio assistido, o próprio paciente ingere a substância prescrita. A especialista enfatiza também que os cuidados paliativos e a morte digna não são opostos, mas complementares na busca por mitigar dores incoercíveis.

Quando a Dor Crônica se Torna uma Doença Autônoma

Para os especialistas em medicina da dor, declarações como as de Melisa refletem com precisão o esgotamento físico e psíquico decorrente do abandono terapêutico. O dr. Pedro Henrique Cunha, neurocirurgião e coordenador do Grupo de Dor do Hospital Samaritano Higienópolis, ressalta que a dor crônica transcende a condição de mero sintoma.

“Na maior parte das vezes, a solicitação de eutanásia nesses quadros não expressa um desejo primário de morte, mas sim o limite extremo de alguém que perdeu a funcionalidade, a autonomia, o sono, o trabalho, os vínculos e a esperança”, explica o neurocirurgião.

Cunha detalha o fenômeno da sensibilização central: quando a dor persiste por longos períodos, o sistema nervoso central sofre uma reorganização neurobiológica, passando a amplificar os estímulos dolorosos autonomamente, mesmo quando a lesão primária foi tratada ou atenuada. “A dor é invisível, não aparece nos exames triviais de imagem e nem sempre está estampada no rosto. Quando não é reconhecida com seriedade, o paciente mergulha na solidão e no desespero.”

Do Sofrimento à Ação: A Criação da FECCUM

O rumo da história de Melisa mudou no final de 2025. Diante do impasse judicial e da recusa médica na Colômbia, ela mobilizou uma ampla campanha de financiamento coletivo e contou com doações para realizar uma cirurgia complexa de alta especialização no exterior. O procedimento conseguiu remover com sucesso os principais focos de endometriose profunda espalhados pelo seu corpo.

Embora a dor não tenha desaparecido por completo devido à sensibilização central, a cirurgia proporcionou um alívio significativo e devolveu-lhe uma parcela fundamental de sua funcionalidade diária. A eutanásia permanece como uma possibilidade distante em seu horizonte, mantida apenas caso o sofrimento retorne a patamares insuportáveis e incontroláveis.

Transformando o próprio trauma em engajamento social, Melisa fundou a FECCUM (Fundación de Endometriosis Colombia y Cuidado de la Mujer). A organização nasceu com o propósito de conscientizar a sociedade, capacitar profissionais de saúde, lutar por diagnósticos precoces e oferecer a outras mulheres a acolhida e o amparo que ela própria não teve durante anos.

“Os seres humanos nunca vão entender a dor do outro, porque não a viveram. Mas isso não significa que a gente não possa ter a empatia de entender que, mesmo que a mim não doa, ao outro pode doer.”



Cadastro Nacional de Endometriose

Não economize na sua história, seja detalhista ao máximo para que haja compreensão de profissionais de saúde caso seja necessário. Somos um grupo de apoio mutuo, para você e por você. Faça parte da associação de endometriose Endomulher. 


segunda-feira, 31 de agosto de 2026

PCDT Endometriose atualizado em agosto: o que muda?

 Guerreiras!

           Foi aprovado o novo PCDT (Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas) da Endometriose pela Portaria Conjunta SAES/SAPS/SCTIE nº 54, de 2 de junho de 2026. Publicado no DOU (Diário Oficial da União) em 22 de julho de 2026, traz mudanças importantes. A principal delas é que a avaliação clínica, considerando os sintomas, o histórico da paciente e o exame físico, podem ser suficientes para iniciar o tratamento da endometriose, eliminando a obrigatoriedade de uma cirurgia de laparoscopia. Isso é excelente, pois agilizará os procedimentos e evitará que uma paciente precise necessariamente passar por um procedimento invasivo apenas para poder começar a tratar a dor, eliminando esse entrave. Deixando claro que a necessidade de exames de imagem não está descartada. Outra alteração significativa está relacionada ao CA-125, exame realizado por meio de coleta de sangue, já que ele pode estar elevado em outras situações que não endometriose, portanto carrega uma limitação e foi descartado como marcador específico para endometriose. O novo PCDT também amplia a perspectiva de cuidado, incluindo orientações de estratégias complementares, como: atividade física, educação em saúde, cuidado multiprofissional, dentre outras. Diretrizes locais de atendimento por estado ou município ainda não foram determinadas.
         O documento ainda sofreu uma atualização do anexo no dia 20 de agosto de 2026. A versão completa e oficial pode ser consultada na página de Protocolos de Endometriose do Ministério da Saúde.


FONTE:
Ministério da Saúde. PCDT da Endometriose – Portaria Conjunta SAES/SAPS/SCTIE nº 54, de 02 de junho de 2026.

Sra. Maria Helena Nogueira e Milena Piantino



sexta-feira, 28 de agosto de 2026

ENDO-205: uma nova esperança no tratamento da endometriose

 



       Olá meninas, tudo bem? Hoje venho falar a respeito de um medicamento, ainda em fase de teste, chamado ENDO-205. 

Desenvolvido pela EndoCyclic Therapeutics, o ENDO-205 é o resultado de quase uma década de pesquisa. Um peptídeo elaborado para atingir preferencialmente as lesões de endometriose. Aprofundando só um pouquinho, o peptídeo é uma versão mais simples de proteína e atua como sinalizador que se liga a receptores nas células, dando ordens para regular funções metabólicas. O mais interessante é a maneira como ele aborda o tratamento da doença, sem depender de supressão hormonal, o que, se essa estratégia se mostrar segura e eficaz, poderá representar uma vantagem para a preservação da função hormonal e reprodutiva (e isso é maravilhoso considerando que supressão hormonal pode trazer efeitos indesejáveis). O Endo-205 tem como proposta desencadear a morte celular programada, após a qual o próprio sistema imunológico do corpo pode eliminar os resíduos celulares restantes e pode vir a se tornar uma terapia não-hormonal de grande potencial.
Em estudos pré-clínicos, o ENDO-205 demonstrou a eliminação das lesões de endometriose e da inflamação a ela associada.
“When we began our studies and went in to analyze the on-target lesions, we found that they were no longer present. It was, in a sense, a dream scenario but also completely unexpected(...)” , afirmou Tanya Petrossian, fundadora e CEO da EndoCyclic Therapeutics, em entrevista ao Drug Discovery News. Ela explicou que o resultado foi, de certa forma, um cenário dos sonhos, mas também completamente inesperado. A descoberta levou a equipe a investigar estágios anteriores da regressão das lesões, buscando compreender melhor, em nível molecular, como elas se estabelecem e como desaparecem ao longo do tempo.
E porque estamos falando do ENDO-205? Porque o FDA (Food and Drug Administration) autorizou o pedido de Novo Medicamento Investigacional (IND), o que significa que ele chegou à Fase I de pesquisa clínica, de modo a testar a segurança, tolerabilidade e os efeitos colaterais do medicamento em um grupo de voluntários.
Quando a novidade foi publicada pela primeira vez em março deste ano, provocou reações otimistas, mas cautelosas, em discussões de usuários do Reddit. No entanto, é um processo demorado até chegarmos aos ‘finalmentes’. Muitas mulheres podem não ter oportunidade de testar, mas imaginem só que futuro promissor a ciência ainda proverá com suas descobertas, erros e acertos.
Se tiver interesse em saber um pouco mais sobre as etapas de desenvolvimento exigidas pelo FDA ou sobre outros medicamentos em estudo que também seguem a linha dos tratamentos não hormonais, os links nas referências podem ajudar.
Sigamos esperançosas, com força Hercúlea e fé no Criador, sempre!

           Hello girls, how are you? Today I'm going to talk about a medication, still in the testing phase, called ENDO-205.

Developed by EndoCyclic Therapeutics, ENDO-205 is the result of almost a decade of research. It's a peptide designed to preferentially target endometriosis lesions. To elaborate a little, the peptide is a simpler version of a protein and acts as a signaling molecule that binds to receptors on cells, giving orders to regulate metabolic functions. The most interesting thing is how it approaches the treatment of the disease, without relying on hormonal suppression, which, if this strategy proves safe and effective, could represent an advantage for preserving hormonal and reproductive function (and that's wonderful considering that hormonal suppression can bring undesirable effects). Endo-205 aims to trigger programmed cell death, after which the body's own immune system can eliminate the remaining cellular debris and could become a non-hormonal therapy with great potential.

In preclinical studies, ENDO-205 demonstrated the elimination of endometriosis lesions and the inflammation associated with them.

“When we began our studies and went in to analyze the on-target lesions, we found that they were no longer present. It was, in a sense, a dream scenario but also completely unexpected(...)”, said Tanya Petrossian, founder and CEO of EndoCyclic Therapeutics, in an interview with Drug Discovery News. She explained that the result was, in a way, a dream scenario, but also completely unexpected. The discovery led the team to investigate earlier stages of lesion regression, seeking to better understand, at the molecular level, how they are established and how they disappear over time.

And why are we talking about ENDO-205? Because the FDA (Food and Drug Administration) authorized the application for Investigational New Drug (IND), which means that it has reached Phase I of clinical research, in order to test the safety, tolerability and side effects of the drug in a group of volunteers.

When the news was first published in March of this year, it provoked optimistic, yet cautious, reactions in Reddit user discussions. However, it is a lengthy process until we reach the 'final results'. Many women may not have the opportunity to test it, but just imagine the promising future that science will still provide with its discoveries, errors, and successes. If you are interested in learning more about the development stages required by the FDA or about other medications under study that also follow the line of non-hormonal treatments, the links in the references may help.

Let us remain hopeful, with Herculean strength and faith in the Creator, always!

FONTE:
EndoCyclic Therapeutics ENDO-205

REFERÊNCIAS:

FOSTER, Bree. Is this the first disease-modifying treatment for endometriosis? Drug Discovery News, 20 maio 2026.
Entrevista com Tanya Petrossian, fundadora e CEO da EndoCyclic Therapeutics (em inglês)

GARGIULO, Antonio. ENDO-205 and the New Wave of Non-Hormonal Endometriosis Treatments — Hope for the Future, Care for Today. New England Endometriosis, 28 jul. 2026
Artigo escrito pelo Dr. Antonio Gargiulo (em inglês)

Escrito por
Milena Piantino




segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Endometriose pode estar associada a maior risco de diabetes tipo 2, aponta estudo

    O ano é 2021. Um estudo com o objetivo de investigar a associação entre endometriose confirmada por laparoscopia e o risco de diabetes tipo 2 foi publicado no periódico científico Diabetologia. Foram acompanhadas 112.037 participantes do Nurses Health Study II por mais de 25 anos. No geral, não foi encontrada associação significativa entre endometriose e maior risco de diabetes tipo 2, mas os pesquisadores observaram uma associação modesta em alguns subgrupos, como mulheres que não eram obesas e aquelas sem histórico de infertilidade ou diabetes gestacional.
    Um novo estudo da ARCHES publicado agora em agosto de 2026 contou com o Banco de Dados da População de Utah, incluindo 2.939.364 de mulheres, residentes em Utah, das quais 99.978 foram diagnosticadas com endometriose e obteve como resultado, durante um acompanhamento médio de 10,8 a
nos, uma associação da doença a um risco 46% maior de diabetes tipo 2 do que indivíduos sem endometriose.
     O risco variou dentre os subtipos e se apresentou mais forte dentre as mulheres na pré-menopausa, aquelas com índice de massa corporal abaixo de 30, ou seja, pessoas não obesas ou com um leve sobrepeso. Curiosamente, estes grupos são tradicionalmente considerados de ‘baixo risco’.
Diferenças foram observadas em relação às características reprodutivas e metabólicas: mulheres com endometriose apresentaram probabilidade substancialmente menor de nunca terem tido filhos e maior probabilidade de terem tido um ou mais partos. Uma proporção maior de mulheres com endometriose apresentava IMC saudável. As mulheres com endometriose também eram mais propensas a já terem sido casadas, a terem histórico de tabagismo e a residirem em áreas urbanas.
    Relacionando os subtipos de endometriose com a razão de riscos ajustada(aHR), o estudo encontrou os resultados:

  • Endometriose superficial: aHR 1,67 → risco 67% maior.
  • Endometriose ovariana: aHR 1,61 → 61% maior.
  • Endometriose profunda + ovariana: aHR 1,59 → 59% maior.
  • Endometriose profunda: aHR 1,45 → 45% maior.
  • Adenomiose: aHR 1,34 → 34% maior.
  • “Outros locais” especificados: aHR 2,67.
  • “Outros locais” não especificados: aHR 2,47.

    Como conclusão, os pesquisadores sugerem que a endometriose está associada a um risco aumentado de diabetes tipo 2, com diferenças significativas entre os subtipos e subgrupos metabólicos. As associações foram mais fortes entre mulheres tradicionalmente consideradas de baixo risco metabólico basal, sugerindo que a associação entre endometriose e diabetes tipo 2 pode diferir entre subgrupos clinicamente relevantes. Esses achados reforçam a necessidade de mais investigações sobre os mecanismos biológicos que ligam a saúde reprodutiva e metabólica.
    Os resultados são importantes, mas ainda não significam que a endometriose cause diabetes tipo 2. O estudo encontrou uma associação entre as duas doenças, e novas pesquisas serão necessárias para entender se existe uma relação de causa e efeito e quais mecanismos podem explicar essa possível ligação.



    
    The year is 2021. A study aimed at investigating the association between endometriosis confirmed by laparoscopy and the risk of type 2 diabetes was published in the scientific journal Diabetologia. 112,037 participants from the Nurses' Health Study II were followed for more than 25 years. Overall, no significant association was found between endometriosis and a higher risk of type 2 diabetes, but researchers observed a modest association in some subgroups, such as women who were not obese and those without 
a history of infertility or gestational diabetes.
    A new ARCHES study published in August 2026 used the Utah Population Database, including 2,939,364 women residing in Utah, of whom 99,978 were diagnosed with endometriosis, and found, during a mean follow-up of 10.8 years, an association between the disease and a 46% higher risk of type 2 diabetes than individuals without endometriosis. The risk varied among the subtypes and was strongest among premenopausal women, those with a body mass index below 30, that is, non-obese people or those with a slight overweight. Interestingly, these groups are traditionally considered to be at ‘low risk’.
    Differences were observed in relation to reproductive and metabolic characteristics: women with endometriosis were substantially less likely to have never had children and more likely to have had one or more births. A larger proportion of women with endometriosis had a healthy BMI. Women with endometriosis were also more likely to have been married, to have a history of smoking, and to reside in urban areas.
    Relating the subtypes of endometriosis to the adjusted hazard ratio (aHR), the study found the following results:

  • Superficial endometriosis: aHR 1.67 → 67% higher risk.
  • Ovarian endometriosis: aHR 1.61 → 61% higher risk.
  • Deep endometriosis + ovarian: aHR 1.59 → 59% higher.
  • Deep endometriosis: aHR 1.45 → 45% higher.
  • Adenomyosis: aHR 1.34 → 34% higher.
  • “Other locations” specified: aHR 2.67.
  • “Other locations” not specified: aHR 2.47.

    In conclusion, the researchers suggest that endometriosis is associated with an increased risk of type 2 diabetes, with significant differences between subtypes and metabolic subgroups. The associations were strongest among women traditionally considered to have low baseline metabolic risk, suggesting that the association between endometriosis and type 2 diabetes may differ between clinically relevant subgroups. These findings reinforce the need for further investigations into the biological mechanisms linking reproductive and metabolic health.
     The results are important, but they don't yet mean that endometriosis causes type 2 diabetes. The study found an association between the two diseases, and further research will be needed to understand if there is a cause-and-effect relationship and what mechanisms might explain this possible link.




REFERÊNCIAS:


Estudo 1 — 2021: Artigo publicado na Diabetologia.

Estudo 2 — 2026: Artigo publicado na Diabetologia — estudo ARCHES.
https://link.springer.com/article/10.1007/s00125-026-06828-w

FONTE COMPLEMENTAR:
veja. abril. com. br/ saude/endometriose-e-diabetes-muito-alem-das-dores-doenca-pode-mexer-com-a-glicose/


Escrito por MPZ

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Endometriose: até onde suas garras alcançam?

    Dor pélvica, cólicas intensas, complicações no trato urinário, dispareunia, alterações menstruais. Estas são algumas das queixas recorrentes das mulheres com endometriose. Mas e quando a doença alcança o 'andar de cima' ?
    Hoje vamos falar de endometriose torácica.

    A endometriose acontece quando um tecido semelhante ao endométrio(tecido que reveste o interior do útero) se desenvolve fora do útero, provocando inflamação crônica.
    A endometriose torácica ocorre quando esse tecido atinge a cavidade torácica e pode acometer diafragma, pleura e pulmões. Essa manifestação é uma forma rara e extrapélvica da doença. O pneumotórax catamenial (presença de ar no espaço entre o pulmão e a parede torácica), é uma das manifestações mais conhecidas da endometriose torácica e ocorre quase exclusivamente em mulheres no período fértil e está relacionada aos hormônios que acompanham os ciclos menstruais.
    A manifestação torácica ocorre predominantemente no lado direito, e os sintomas mais comuns incluem:

• dor no peito;
• dor nas costas;
• dor no ombro;
• falta de ar;
• tosse;
• rouquidão

    Essas manifestações podem ser confundidas com doenças cardiopulmonares comuns, retardar o diagnóstico ou levar a conclusões erradas, como foi o caso de Alexandra Henry, que em matéria no site da EndoFound.org, relata o seu período em uma UTI devido a um quadro recorrente de pneumotórax e complementa como foi desacreditada quando levantou a suspeita de que seu caso tinha relação com a endometriose, ouvindo de profissionais que seus sintomas não eram reais, seu caso era 'isolado' ou mesmo atribuindo os sintomas ao Transtorno de Estresse Pós-Traumático. (de alguma forma sempre retornamos à condição mental para justificar a agonia).

    É importante observar quando surgem os sintomas tanto quanto quais são eles. O quadro costuma apresentar relação temporal com o período menstrual, podendo surgir nos dias que antecedem e acompanham a menstruação. Atentar a esses fatores pode ajudar com o diagnóstico, embora exames de imagem como radiografia e tomografia sejam limitados e podem mostrar anormalidades apenas durante episódos agudos.
    Se manifestações respiratórias ou torácicas surgem de forma recorrente durante ou próximas à menstruação, essa ligação pode levantar a suspeita de endometriose torácica.
    O tratamento da endometriose torácica depende dos sintomas, da localização e da extensão da doença. Pode envolver medicamentos hormonais para controlar a atividade da endometriose, medidas para controle da dor e, em alguns casos, cirurgia para tratar lesões ou manifestações torácicas. O acompanhamento pode envolver diferentes especialistas, como ginecologistas, pneumologistas e cirurgiões torácicos, de acordo com as necessidades de cada paciente.
    Quando existe uma relação entre os sintomas e o ciclo menstrual, reconhecer a possibilidade da doença pode ser um passo importante para reduzir o atraso no diagnóstico. Então, mulher, você é quem conhece o seu templo. Agarre a sua intuição feminina e use a seu favor. Bata o pé e não pare até acreditarem na sua dor!
    A endometriose torácica evidencia que ainda existe um longo caminho a percorrer no cuidado, na conscientização e na capacitação dos profissionais de saúde. Quando uma doença pode apresentar manifestações em diferentes partes do organismo, seu acompanhamento também precisa ir além de uma única especialidade. Uma abordagem que considere não apenas a localização das lesões, mas também a dor, a qualidade de vida e o bem-estar da paciente.


    Pelvic pain, intense cramps, urinary tract complications, dyspareunia, menstrual irregularities. These are some of the recurring complaints of women with endometriosis. But what happens when the disease reaches the 'upper floor'?
    Today we will talk about thoracic endometriosis.

   Endometriosis occurs when tissue similar to the endometrium (the tissue that lines the inside of the uterus) develops outside the uterus, causing chronic inflammation.

    Thoracic endometriosis occurs when this tissue reaches the thoracic cavity and can affect the diaphragm, pleura, and lungs. This manifestation is a rare and extrapelvic form of the disease. Catamenial pneumothorax (presence of air in the space between the lung and the chest wall) is one of the best-known manifestations of thoracic endometriosis and occurs almost exclusively in women of childbearing age and is related to the hormones that accompany menstrual cycles.

    Thoracic manifestation occurs predominantly on the right side, and the most common symptoms include:

• chest pain;

• back pain;

• shoulder pain;

• shortness of breath;

• cough;

• hoarseness

    These manifestations can be confused with common cardiopulmonary diseases, delaying diagnosis or leading to incorrect conclusions, as was the case with Alexandra Henry, who, in an article on the EndoFound.org website, recounts her time in an ICU due to a recurring pneumothorax and adds how she was discredited when she raised the suspicion that her case was related to endometriosis, hearing from professionals that her symptoms were not real, her case was 'isolated,' or even attributing the symptoms to Post-Traumatic Stress Disorder (somehow we always return to the mental state to justify the agony).

    It is important to observe when the symptoms appear as well as what they are. The condition usually has a temporal relationship with the menstrual period, and may appear in the days leading up to and accompanying menstruation. Paying attention to these factors can help with diagnosis, although imaging tests such as X-rays and CT scans are limited and may only show abnormalities during acute episodes.
    If respiratory or thoracic manifestations occur recurrently during or close to menstruation, this link may raise suspicion of thoracic endometriosis.
    Treatment for thoracic endometriosis depends on the symptoms, location, and extent of the disease. It may involve hormonal medications to control endometriosis activity, pain management measures, and, in some cases, surgery to treat lesions or thoracic manifestations. Follow-up may involve different specialists, such as gynecologists, pulmonologists, and thoracic surgeons, according to the needs of each patient.
    When there is a relationship between symptoms and the menstrual cycle, recognizing the possibility of the disease can be an important step in reducing the delay in diagnosis. So, woman, you are the one who knows your temple. Embrace your feminine intuition and use it to your advantage. Stand your ground and don't stop until they believe your pain!

    Thoracic endometriosis highlights that there is still a long way to go in the care, awareness, and training of healthcare professionals. When a disease can manifest in different parts of the body, its management also needs to go beyond a single specialty. An approach that considers not only the location of the lesions, but also the pain, quality of life, and well-being of the patient.

REFERÊNCIAS:

1. Radiopaedia — Catamenial pneumothorax.
2. Jornal Brasileiro de Pneumologia — Pleural endometriosis — findings on magnetic resonance imaging

FONTE:
www. endofound.org/overlooked-not-rare-thoracic-endometriosis-outside-the-textbook


Vídeo didático sobre pneumotórax: www. youtube.com/watch?v=wtBRwMq8Btk&t=194s

Escrito por: MPZ



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Estudo investiga os efeitos dos cuidados de enfermagem na qualidade de vida de mulheres com endometriose

           Olá a todos. Após algum tempo sem atualizarmos aqui, retornamos com uma matéria bem importante!           Trata-se de um estudo ...