quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Gaslighting e saúde feminina: quando a dor vira dúvida

 

“É COISA DA SUA CABEÇA” - A empresária Dana Steinberg, de 38 anos, demorou para descobrir que suas dores de cabeça e nas articulações eram sinais da síndrome de Ehlers Danlos, distúrbio raro que afeta a produção de colágeno. Quando buscava ajuda, ouvia dos médicos que era tudo coisa de sua cabeça. A experiência mais dura de gaslighting foi promovida por uma reumatologista.  “Depois que ganhou minha confiança, ela disse que eu estava com problemas psiquiátricos.” Dana passou dias refletindo. “Fiquei pensando que eu tinha algo errado e que criava minha dor.” Foi o psiquiatra que a convenceu de que seu problema não era de ordem mental. Ela persistiu e hoje recebe o tratamento certo. - (Egberto Nogueira/Ímãfotogaleria/VEJA)

     Décadas separam Dana de Virgínia, uma escritora britânica que cometeu suicídio depois de buscar tratamento médico e não receber. Lutou contra a depressão sozinha. O que as une é o descrédito por parte de profissionais da saúde que desconsideraram ou subestimaram os sintomas de ambas.
                

“Frescura. Você está exagerando. Isso é coisa da sua cabeça.”


Quantas mulheres já não passaram por situações assim no ambiente familiar, no trabalho ou até mesmo dentro de um consultório médico?

Quando a falta de empatia e de escuta chega ao consultório, a paciente pode se deparar com algo ainda mais grave do que um atendimento inadequado: o descrédito daquilo que sente. Nem todo comportamento inadequado deve ser interpretado como abuso ou gaslighting. Mas quando dores são menosprezadas, sintomas são minimizados, a investigação é interrompida precocemente ou as queixas são atribuídas, sem a devida apuração, ao estado emocional da mulher, podemos estar diante do chamado gaslighting médico.

O problema é que ser desacreditada repetidamente não significa apenas sair frustrada de uma consulta. A desvalorização dos sintomas pode contribuir para atrasos no diagnóstico, criar barreiras para a busca de atendimento, agravar quadros de saúde e, em situações mais graves, contribuir para desfechos que poderiam ser evitados.

Mas por que tantas mulheres ainda precisam provar que estão sentindo dor? Essa não é uma pergunta nova, mas ganhou uma nova dimensão com a internet. Mulheres começaram a compartilhar experiências de consultas em que suas dores foram minimizadas, seus sintomas atribuídos à ansiedade ou suas percepções colocadas em dúvida. O que antes poderia parecer uma experiência isolada começou a revelar um padrão.
   Quando uma mulher precisa ouvir de várias pessoas que sua dor não é real, o risco não é apenas que os outros deixem de acreditar nela. É que ela própria deixe de acreditar em si.
  Em reportagem publicada pela VEJA, o fenômeno é explorado a partir de histórias de mulheres que enfrentaram o descrédito de profissionais de saúde. Em “A dor do descrédito: o movimento inédito contra o gaslighting médico”, a revista mostra como essas experiências não acontecem no vazio: elas fazem parte de uma discussão maior sobre os vieses históricos da medicina em relação ao corpo feminino.         Nós estamos falando de gaslighting médico que significa a falta de empatia e respeito, e vamos continuar falando enquanto isso continuar acontecendo, principalmente no Brasil.
PUBLICAÇÃO: VEJA de 13 de abril de 2022, edição nº 2784 

Leia mais em:
veja.abril.com.br / saude/a-dor-do-descredito-o-movimento-inedito-contra-o-gaslighting-medico/


AUTORA: Paula Felix

    
Escrito por Milena         

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Gaslighting e saúde feminina: quando a dor vira dúvida

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